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Inteligência humana ou artificial, por que o uso de apenas uma delas faz o pensamento progredir?

Aula Inaugural do Seminário Dirigido em Filosofia - 2026

De Sísifo, condenado a repetir o mesmo gesto para sempre, a Fausto, que trocou sua autonomia pela promessa sedutora e enganosa de um conhecimento a respeito de todas as coisas, a humanidade sempre teve a mesma tentação: estabelecer relações de dependência que prometem nos livrar de todo o incômodo do existir.
 

Nesta aula inaugural, do Brasil de 500 anos atrás à inteligência artificial de hoje, investigamos por que autonomia (e não a  dependência) é o único critério real de progresso. 

Nem tudo que parece avançar, de fato, progride. Algumas vezes, o avanço é apenas uma forma sofisticada de depender mais e evoluir menos.

“O poeta se faz vidente (...) ele chega ao desconhecido, e quando, enlouquecido, ele acabaria por perder a inteligência de suas visões, ele as viu! Que ele estoure em seu sobressalto pelas coisas inaudíveis e inomináveis” (Arthur Rimabaud, A carta do Vidente).

Há 500 anos, os primeiros viajantes que chegaram ao Brasil enfrentaram um dilema: repetir, no novo mundo, o mesmo gesto de Sísifo do mundo antigo: carregar para sempre pesados rochedos sobre os ombros, ou aceitar, como o poeta vidente de Rimbaud, aliviar dos ombros o peso de toda a ciência antiga e experimentar o desconhecido.

Foi esse mesmo impasse que moveu Oswald de Andrade a propor o primitivismo antropofágico: progredir não é ter algo ou alguém pensando, escolhendo, vivendo por nós: repetindo tudo aquilo que já é conhecido. Progredir é aumentar o nosso poder eletivo, a autonomia de escolher de forma não determinada.

A mesma tentação que levou Fausto a trocar sua autonomia por um conhecimento fácil atravessa qualquer promessa de nos livrar do esforço de pensar. Sem esse esforço não avançamos sobre o desconhecido, continuamos paralisados, repetindo para sempre o conhecido. 

Nesta aula inaugural, investigamos se o que chamamos de progresso, nas nossas escolhas do dia a dia, de fato aumenta nossa autonomia, ou apenas disfarça uma forma mais sofisticada de dependência e repetição.

O que vamos investigar na aula:

  • O mito de Sísifo e a diferença entre repetir um gesto para sempre e progredir de verdade

  • O que sentiram os primeiros viajantes que chegaram ao Brasil há 500 anos: visionários caminhando rumo ao desconhecido, ou apenas mais do mesmo?

  • O primitivismo de Oswald de Andrade e o conceito de poder eletivo: a autonomia como capacidade de escolher sem estar determinado

  • O mito de Fausto e a sedução milenar de trocar autonomia por conhecimento sem esforço

  • Por que toda promessa de nos livrar do esforço de pensar, da tecnologia mais simples à inteligência artificial mais avançada, esconde a mesma tentação antiga?

  • O que, de fato, separa progresso genuíno de dependência disfarçada de avanço tecnológico que promete conhecimento sem esforço. A inteligência artificial só chegou depois, mas o seu princípio de funcionamento é bastante antigo e sedutor.

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Sobre o Instituto Brejo das Almas e Alcides, seu professor

Filósofo, professor e idealizador do Instituto Brejo das Almas. Graduado, mestre e doutorando em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP, São Paulo). Membro de grupos de pesquisa na Universidade de São Paulo e na Universidad Nacional del Litoral (UNL, Argentina). Tradutor da Metafísica de Aristóteles. Conduz seminários voltados à prática da filosofia como forma de “cuidado de si”.

Aqui no Brejo das Almas a filosofia não é apenas teoria, mas experiência viva: um modo de escutar, pensar e expressar o que permanece oculto nas trocas imediatas do dia a dia. Talvez esse espaço seja uma resposta a uma carência que todos sentimos — a oportunidade de  atualizarmos a nossa singularidade e de podermos, enfim, dizer o nosso “segredo”: comunicar a poesia afundada no Brejo da nossa Alma.

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Online e gratuita. 

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  • Múltiplas datas
    seg., 24 de ago.
    24 de ago. de 2026, 20:00 – 22:00
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    Duas obras, e um mesmo caminho: Oswald de Andrade e Antônio Cândido destacam os “fatos estéticos” atados aos acontecimentos do nosso dia-a-dia.
  • Data e horário a definir
    Data e horário a definir
    Bauru, R. Alberto Segalla, 1-75 - sala 241 - Jardim Infante Dom Henrique, Bauru - SP, 17012-634, Brasil
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  • Data e horário a definir
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  • Seminário a escolha do aluno.
    Bauru
    Seminário a escolha do aluno.
    Bauru, R. Alberto Segalla, 1-75 - sala 241 - Jardim Infante Dom Henrique, Bauru - SP, 17012-634, Brasil
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  • Date and time is TBD
    aulas online através do Zoom
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    começo das aulas: 01/04 Filosofia Pau Brasil: uma forma original e nativa de conhecer a realidade Você está prestes a entrar em um processo filosófico real — não um curso para assistir, mas uma investigação viva em que você participa, examina e desenvolve um pensamento genuinamente seu.
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